|
Zito Baptista Filho

Meu primeiro emprego no rádio foi em 1948,
na Roquette-Pinto, onde conheci René Cavé e Tude de
Souza, que trabalhava lá. Quando estes dois radialistas,
inesquecíveis, foram para a Rádio MEC, convidaram-me
para fazer parte do cast. Como, desde 1940, eu era redator do Instituto
do Açúcar e do Álcool, fiquei acumulando os
dois empregos. Mas houve um processo administrativo para acabar
com a acumulação, e tive que optar. Escolhi ficar
no IAA.
Em 1956, o então diretor artístico da Rádio
MEC, Paulo Salgado, convidou-me para assumir o programa "Ópera
Completa", que, anteriormente, era redigido por Perilo Moura
Peixoto. Ao retornar para a Rádio, então, a impressão
que tive foi de uma verdadeira e viva casa de cultura. Posso citar
Mozart de Araújo, criador do programa "Música
e Músicos do Brasil" (hoje feito por Lauro Gomes), Alberto
Shatowsky, Sheila Yvert, Geny Marcondes, Luiz Cosme, Otto Maria
Carpeaux, Alfredo Souto de Almeida, locutores como William Mendonça,
José Assis, Garcia Xavier e tantos outros...
Em 1961, quando Murilo Miranda assumiu a direção,
dinamizou a programação de uma forma excepcional.
O intercâmbio com outros países, já iniciado
anteriormente, aumentou. As retransmissões ao vivo do Teatro
Municipal, eram uma preciosidade. Grandes virtuoses solavam com
a OSN. Os grandes maestros, visitantes ou dos quadros da Rádio,
regiam a OSN em vários eventos. A década de 50 até
meados de 60 a 63, foi à fase áurea da Rádio
MEC.
O "Ópera Completa", que produzo há 40 anos,
é o mais antigo programa do rádio brasileiro. Foi
criado e apresentado pelo próprio Roquette-Pinto, ainda na
Rádio Sociedade. Nesse tempo, o programa ia direto para o
ar, e eram usados discos de 78 rotações. Eu mesmo
ainda peguei esse sistema. O progresso das gravações,
porém, exige uma atualização da maneira de
apresenta-las, tanto no que se refere à técnica de
transmiti-las, como quanto ao conteúdo e à forma do
texto. Sempre procurei situar no tempo autor e obra, alternar épocas
e nacionalidades, variar o quanto possível os elencos, e
pôr à disposição do público os
intérpretes nacionais. Tem sido essa, em síntese,
a nossa orientação nestes 40 anos de programa, onde
foram ouvidas mais de 300 óperas ao longo de mais de 2000
audições.
Esse trabalho tornou possível relatar, no livro "A Ópera",
lançado pela Nova Fronteira, em 1987, as origens e as fontes
de 222 óperas, com seus resumos, ato por ato.
A colaboração dos ouvintes tem sido inestimável.
Aqui, cabe ressaltar a colaboração de Stela Regina
de Loiola Pádua, profunda conhecedora de ópera.
|