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Radioteatro Já!
Experimente contar a alguém que você
acabou de sair de uma oficina de radioteatro.
Provavelmente a reação será uma mistura
de curiosidade afetuosa com comentários nostálgicos.
Imediatamente a lembrança das rádio-novelas
da Rádio Nacional pode, também, ser evocada.
Agora, experimente mostrar uma gravação recente
desse gênero. Se o resultado for semelhante ao que ocorreu
com os 21 participantes do curso recentemente oferecido pela
SOARMEC, todo o ranço de passado que a palavra radioteatro
carrega terá sido esquecido.
É claro que não foi qualquer gravação
que os jovens oficineiros atores, radialistas e jornalistas
ouviram. Tratava-se de peças escritas e produzidas
por Chico de Assis. Chico não só tem um vasto
currículo de serviços prestados à dramaturgia
nacional (é autor de peças como Missa Leiga,
além de novelas e adaptações para rádio
e TV), como também, em meio à apatia das empresas
de rádio, conseguiu emplacar vitoriosos projetos de
radioteatro em emissoras comerciais paulistas como a Jovem
Pan e a Tupi.
Convite à imaginação
A preocupação em ofertar a oficina
vinha da constatação de que cursos de comunicação
social não a oferecem, tampouco os de teatro. Raras
exceções são os cursos oferecidos pela
ONG CRIAR Brasil, e um recente promovido pelo radialista Zé
Zuca. Quando convidamos Chico de Assis, nossa principal intenção
era registrar seus conhecimentos para que esse saber específico
a construção de narrativas de ficção
e a interpretação para o rádio
não se perdesse. Também queríamos despertar
a curiosidade e o interesse de futuros atores e possíveis
multiplicadores desse saber.
A oficina se realizou em duas semanas de outubro, com um intervalo
entre elas, para que os alunos pudessem escrever roteiros.
Na primeira semana a Rádio MEC cedeu o espaço
do Auditório Paulo Tapajós para as aulas expositivas.
Nessas aulas Chico falou sobre os formatos e especificidades
da escrita para o rádio e mostrou suas radiopeças
mais recentes, que iam desde adaptações de contos
clássicos até miniaturas sobre os heróis
dos quadrinhos.
Confesso apaixonado pelo veículo, Chico fez questão
de listar as vantagens do rádio frente à TV.
Segundo ele o rádio trabalha com (..) a imaginação
do freguês. O sujeito que está ouvindo o rádio
está sempre imaginando dentro da cabeça dele
onde as coisas estão passando, como é aquilo,
como é a cara do sujeito que está falando se
ele é baixo, alto, gordo ou magro. Duas pessoas não
imaginam a mesma coisa. Você tem no rádio a maior
aventura da comunicação. Porque na televisão
a redução está lá, está
tudo reduzido o ator está lá, as coisas estão
lá, os móveis estão lá, o cenário
está lá. No rádio está tudo na
cabeça da pessoa, entra pelo ouvido e toca a cabeça.
Tiro certeiro
Na segunda semana de oficina os textos produzidos
pelos alunos (uma adaptação de um conto de Machado
de Assis e dois esquetes de humor) foram gravados. Os programas
serão montados até o fim deste ano e ficarão
disponíveis para acesso nos websites mantidos pela
SOARMEC. Serão também ofertados à Rádio
MEC, para veiculação.
Terminado o curso muitos participantes sentiam um gosto
de quero mais, e já sonhavam com as produções
que poderiam realizar em emissoras comunitárias e universitárias.
Os relatos do fim do curso nos deram algumas certezas. A primeira:
Chico de Assis agradou em cheio. E, a mais importante: o radioteatro
tem futuro!
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