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Encontro de Rádios Públicas
De 21 a 23 de novembro de 2007 ocorreu o Fórum Nacional
de Rádios Públicas . Acompanhe aqui mais detalhes
sobre cada uma das mesas do evento. Leia
aqui a carta final do Fórum.
Abaixo, texto publicado no Amigo Ouvinte 43
(veja também em PDF)
De 21 a 23 de novembro de 2007,
representantes de rádios universitárias, comunitárias,
estaduais, federais e de outras instâncias do poder
público reuniram-se no Rio de Janeiro, no Fórum
Nacional de Rádios Públicas. O encontro foi
promovido por várias organizações, entre
elas a ARPUB (Associação das Rádios Públicas
do Brasil), objetivando debater assuntos em comum e pensar
estratégias de ação conjuntas.
Os temas selecionados para debate foram: missão e modelo
de financiamento das rádios públicas; radiojornalismo
público; estudos e pesquisas sobre radiodifusão
pública; programação; redes e sistemas;
rádio digital; direitos autorais e legislação
para o setor. Professores, diretores de rádio e autoridades
foram convidados a compor as oito mesas de debate, que ocorreram
nos dias 22 e 23.
Comunitárias em alta
No dia 21, algumas autoridades presentes fizeram breves discursos.
A maioria ressaltando as expectativas em relação
ao campo público de radiodifusão termo
abrangente, usado para abrigar os diversos tipos de emissoras
presentes no Fórum. Juca Ferreira, na época
secretário executivo do Ministério da Cultura,
concentrou sua fala na questão das rádios comunitárias,
segundo ele, tão importantes quanto as outras, e prometeu
que o Ministério disponibilizaria conteúdos
para essas rádios. As comunitárias também
mereceram destaque nos apontamentos da professora e pesquisadora
Sônia Virgínia Moreira. Para ela são essas
emissoras que merecem verdadeiramente a alcunha de públicas.
Pesquisa e produção
parcerias
Na mesa intitulada Estudos e pesquisas sobre radiodifusão
pública, Sônia Virgínia ressaltou que
o principal parceiro de pesquisas no país é
o setor público e destacou temas que os pesquisadores
deveriam explorar em parceria com as emissoras, de modo
que os dados colhidos levassem a ações concretas
para o setor, como: mapeamento das emissoras não comerciais;
estudos de conteúdo e para conteúdo; alcance.
Um balde de
água fria
Corria a notícia de que no Fórum seria apresentado
o resultado de uma pesquisa sobre as rádios educativas
no Brasil. O incumbido de trazer à luz esse obscuro
assunto foi o professor da UNESP Ricardo Alexino. O que Ricardo
revelou foi, infelizmente, um tanto desalentador. No lugar
de um panorama das emissoras, ele relatou suas dificuldades
enquanto diretor de uma emissora Universitária
e, sobre a pesquisa, disse, basicamente, que elaboraram um
questionário com 95 perguntas, tentando apreender a
estrutura administrativa, tecnológica, jurídica,
pessoal, financeira, etc., das emissoras, e enviaram para
65 consideradas educativo-culturais. Dessas, apenas 32
responderam. Segundo ele as emissoras não
sabem o que é ser cultural-educativa. Um panorama
mais completo desse universo ficou prometido para uma outra
ocasião.
Ferrareto e a música clássica
Quem reanimou a audiência foi Luiz Ferrareto. Também
professor, pesquisador e autor de importante bibliografia
sobre radiodifusão, Ferrareto deixou alguns participantes
sobressaltados quando afirmou que rádio público
não deve tocar massivamente música erudita.
Rádio público pode ser tudo, menos elitista.
Incluir é a palavra chave. Segundo ele o
rádio comercial trata o público como um substantivo
Tem que ser visto como adjetivo. E, ainda,
provocou: acho que nesse momento o rádio público
existe apenas como abstração.
Outros destaques
Outras importantes participações, que não
podemos deixar de citar, foram de Manuel Chaparro, da Espanha,
que relatou um inovador modelo de redes de emissoras; da professora
Nélia del Bianco e de seu ex-aluno Flávio Ferreira
Lima, que fizeram esclarecedoras palestras sobre a questão
do sistema digital de rádio; e de Carlos Afonso, da
Fundação Getúlio Vargas, que falou sobre
o Creative Commons e as transformações do Direito
Autoral.
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