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Estudos e pesquisa sobre
radiodifusão pública
Sônia Virgínia Moreira foi a primeira
a falar. A professora começou lembrando que os países
de língua espanhola têm trocas de programas facilitadas.
Falando, como mínimas diferenças, a mesma língua,
a Espanha e países das Américas Central e Latina
podem tranquilamente trocar programas.
Em seguida Sônia chamou a atenção para
a falta de políticas e legislação para
o setor.
Lembrou da importância das redes e sugeriu algumas questões
para reflexão:
o conceito de rádios públicas e o que é
o rádio público num país como o Brasil.
"Somos um país legalista. Para as coisas funcionarem
tem que ter lei. Mas isso não garante que elas funcionem.
Melhor seria se pensássemos em regras e não
em leis", disse Sônia. Para ela, se tivesse que
pensar um título a palestra seria "rádios
públicas no Brasil: o que sabemos e o que temos que
aprender". E prosseguiu: o que precisamos aprender? Fazer
um mapeamento das emissoras não comerciais; estudos
de conteúdo e para conteúdo; alcance; a tecnologia
não pode estar dissociada do marco regulatório.
O setor público é interessado em pesquisa: pesquisas
que possam se tornar prática-ação.
O espanhol Manuel Chaparro abriu sua fala com
um desafio, indicando que precisamo atuar para que o futuro
não continue a nos surpreender. Para Chaparro um projeto
de comunicação tem que ser pensado não
para o desenvolvimento mas para a transformação,
para a mudança social. Ele mostrou um detalhado projeto
realizado na Espanha, que conseguiu associar 110 municípios
com rádio público local, sem fins lucrativos.
Essa emissoras decidiram sua programação a partir
de exaustivos debates com a comunidade. Para Chaparro as emissoras
locais, em município com menos de 50.000 mil habitantes,
representam um serviço tão imprescindível
quanto uma biblioteca, escolas, etc. Em seguida, apresentou
as questões legais espanholas em relação
às rádios comunitárias. Segundo ele a
rádio do tipo comunitária ou livre não
tem na Espanha um marco legal. Por fim, Chaparro contou, pontualmente,
como realizaram o trabalho em rede, com essas emissoras municipais.
No início faziam programas e distribuiam por correio.
Depois acabaram alugando um satélite. Hoje há
um conteúdo informativo comum para todas as emissoras;
conteúdos produzido por outras emissoras e conteúdo
produzido em âmbito local.
O professor Luiz Ferrareto foi responsável por um dos
momentos mais polêmicos do Fórum. Começou
sua fala também perguntando: - o que afinal é
público?
Citou o Aurélio: público - de uso de todos,
manifesto, notório, todos sabem...
Depois questionou se uma rádio comunitária não
é muito mais pública do que a EBC, empresa criada
por medida provisória E provocou "acho que nesse
momento o rádio público existe apenas como abstração".
Ferrareto destacou que hoje, no Brasil, existem três
tipos de emissoras: educativas; comerciais e comunitárias.
E seguiu: "o que temos tratado como rádio público
é uma espécie de herdeiro do educativo. Não
podemos confundir o público com o governamental".
Continuou perguntando: rádio pública trabalha
com alta cultura ou cultura popular? E a cultura de massa?
E pontuou: "rádio público pode ser tudo
menos elitista". Para Ferrareto incluir é a palavra
chave.
Ricardo Alexino, da UNESP, também foi
categórico ao afirmar que "cultura e educação
na podem ser vendidos como produto". Para o professor,
também responsável pela emissora de rádio
da UNESP, a base de uma emissora utópica educativa
é difícil de atingir porque partimos de nosso
ponto de vista. Em seguida Alexino passou a falar da
pesquisa iniciada pela ARPUB, com o intuito de descobrir quais
são as rádios culturais-educativas. Junto com
a ARPUB Alexino elaborou um questionário com 95 perguntas,
tentando apreender a estrutura administrativa, tecnológica,
jurídica, pessoal, como dispunham a sua verba, etc.Enviaram
para 65 emissoras que consideravam educativo-culturais. Apenas
32 responderam."As emissoras não sabem o que é
ser cultural-educativa", disse Alexino.
O professor encerrou sua fala dizendo que uma emissora cultural
educativa tem como função fazer o ouvinte entender
que cultura é tudo.
A professora Ana Baum, mediadora de debate,
também falou um pouco sobre seu ponto de vista a respeito
do assunto. Para ela devemos pensar no conceito de esfera
pública . "Os meios de comunicação
são instâncias da esfera pública".
Lembrou que as rádios comerciais também têm
um compromisso público porque são concessões.
E fez algumas perguntas: é possível ter uma
rádio para todos?; o que foi a Rádio Nacional
é viável no Brasil de hoje?"; e até
que ponto o gosto do público interfere nos meios de
comunicação e vice-versa. Ana reforçou
a necessidade de pesquisas quantitativas para o setor.
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