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Radiojornalismo Público
Segundo Helenise Brant, da Radiobrás,
o maior problema do radiojornalismo no Brasil é a falta
de clareza. Não existe democracia neste setor, falta
clareza e uma maior participação do povo. Continuou
dizendo que deve haver cidadania no radiojornalismo público.
Todos devem ter acesso, é preciso que haja debate,
já que hoje este espaço é aberto a poucos.
Outro problema que ela destacado foi a falta de ética.
Os interesses próprios e comercias estão acima
de tudo, existe uma falta de consciência tanto de quem
passa a notícia quanto de quem recebe. Para ela, em
se tratando de Brasil, a 'Hora do Brasil' é praticamente
o único jornalismo presente nas rádios, já
que as comercias tem uma programação quase que
totalmente musical.
Em seguida, falou Eugênia Fernandes da RFI. Ela começou
dizendo que a rádio pública na França
é autônoma e tem liberdade editorial. Lá
o jornalista é recrutado como em qualquer empresa,
manda currículo e quando se enquadra no perfil que
eles procuram, entra para a rádio. Não é
feito concurso. Como foi dito pelo Professor Laurindo, quem
financia as rádios públicas na Europa é
o povo. Outro detalhe é que na França eles são
totalmente sindicalizados. Há uma constante luta pela
liberdade de expressão e o combate às pressões
externas. A rádio não tem partido, tem sua própria
opinião. Sobre rádios on-line, Eugênia
disse que a Internet transforma em internacional qualquer
rádio do mundo: apessoa cria uma rádio on-line
em casa e qualquer pessoa no mundo pode ouvi-la.
O próximo a falar foi Mário de Freitas, da
Rádio Nederland. Seu primeiro comentário foi
que, assim como a RFI, a Rádio Nederland é financiada
pelo público. Em seguida falou como surgiram as rádios
internacionais. Segundo ele, elas surgiram da necessidade
dos colonizadores estarem em comunicação com
suas colônias. Assim como a RFI, por exemplo, a Nederland
existe em todos os países de língua Holandesa
fora da Europa. Após a II Guerra Mundial e com o fim
das colônias, houve uma mudança no foco da programação
das internacionais. Hoje eles estão presentes na maioria
dos países menos desenvolvidos e de população
carente elevada. Estão no Brasil desde 1974 e hoje
contam com 400 emissoras parceiras - que fazem produções
em parceria com eles ou retransmitem sua programação.
Suas produções se baseiam mais na cidadania,
com uma visão européia do assunto. Uma das séries
que ele destacou, de programas produzidos aqui, foi o "Vozes
negras do Brasil". Série de 12 programas com cerca
de meia-hora cada, que gerou uma caixa com 6 cd's de uma hora
cada. Os programas estão disponíveis para audição
ou download gratuito, em: www.parceria.nl.
Encerrando esta mesa, falou Andréas Behn, da Agência
Pulsar. Falando sobre as rádios comunitárias,
ele destacou a importância da horizontalização
de sua programação e administração.
Disse que é essencial a participação
da comunidade e que isso só é possível
de maneira horizontal, ou seja, não existe um comando
claro, ou a opinião de alguém que prevaleça.
Todos são ouvidos e é passada aos ouvintes a
interpretação final, que vem após o debate
dos fatos. Citou que a música tem papel fundamental
nas comunitárias, principalmente se esta é feita
com artistas locais, que não tem espaço nas
rádios comerciais. Comunicação cidadã:
acontecimentos que interessem à comunidade, inclusive
notícias locais. A divulgação da cultura
de boa qualidade, que muitas vezes fica restrita as camadas
mais altas da sociedade. E por fim, uma produção
jornalística de qualidade, que não defenda a
opinião de um partido ou de um governante, que seja
feita com isenção.
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