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Rádios Públicas: missão
institucional
Na primeira mesa do dia os assuntos foram: o
que deve ser uma rádio pública, como administrar
e como deve ser a relação instituição
/ sociedade. Presente à mesa, o diretor da ARPUB e
da Rádio MEC, Orlando Guillon, falou sobre o modelo
gestor de uma rádio pública. Guilhon destacou
a luta responsável pela audiência, o que seria
um diferencial em relação às rádios
comerciais existentes hoje em dia: "a busca pela audiência
deve ser responsável e clara, tem que mudar o conceito
que existe hoje, sair do jabá e mostrar o que existe
de produção fora desse eixo das grandes gravadoras".
Lembrou também a importância da criação
de um conselho gestor, e que a rádio pública
seja democrática e preste contas à sociedade,
com uma administração transparente, ouvindo
a audiência e mostrando o caminho que está sendo
seguido.
Para Guilhon, é importante que exista autocrítica,
que se crie o cargo de ombudsman, para que se avalie,
constantemente, a qualidade da rádio. E por último,
ele sugeriu que se crie um estatuto, para que fique claro
o caminho que a rádio deve seguir, e que se respeite
estes objetivos traçados, tenham clareza na direção
e respeito com os ouvintes.
Em seguida, foi a vez de José Soter, da ABRAÇO,
falar. Ele deu ênfase às rádios comunitárias.
Criticou o modelo de rádio informativo existente, na
sua opinião, semelhante ao da ditadura. Disse que o
primeiro passo para sair desse modelo é democratizar
a informação. Falou também sobre a necessidade
da participação da população no
novo modelo. Para ele, para que esta participação
efetivamente exista, é preciso que se respeite a diversidade
do povo. Isso tornaria a mensagem da rádio mais próxima
da imparcialidade, tendo o máximo de informações
possíveis sobre o fato, tornando-a sua transmissão
mais responsável. Outro ponto comentado por Soter,
foi sobre as finanças de uma rádio pública.
Ela não deve ser o ponto primordial no funcionamento
da emissora, pois poderia causar, além da centralização
dos poderes, uma disputa desatada pelo comando da mesma além
de diminuir a participação da comunidade. O
ideal seria que o financiamento fosse público, através
de captação própria, ou seja, a população
pagar para que a rádio exista. Por fim, falou sobre
a publicidade, que, na sua opinião, deve favorecer
a comunidade local, quer dizer, ter os comerciantes próximos
da rádio, que estejam no alcance da transmissão.
Encerrando a primeira mesa do dia, falou o Professor da USP,
Laurindo L. Leal. Ele destacou o modelo de radiodifusão
pública europeu, mostrando que o Brasil seguiu o modelo
norte-americano. Diferente do modelo americano, na Europa
primeiro se fez na prática, depois se teorizou. Nos
primeiros 60 de rádio na Europa Ocidental - com exceção
do Reino Unido -, houve um predomínio de rádios
públicas. O modelo era suprapartidário, distante
dos governos e comandado por pessoas de confiança do
público - o que tornava o serviço realmente
público. Outro ponto levantado por ele, foi a diferença
básica de radiodifusão pública para a
privada. Esta última, divulga o que interessa o investidor,
enquanto que a pública investe em programação
própria, sem privilegiar uma camada da sociedade; é
plural.
Na Europa, as rádios públicas são sustentadas
pelo povo, através de impostos que são direcionados
à manutenção dessas emissoras. A audiência
não é o mais importante, mas sim a qualidade
do que se produz, o conteúdo informativo e cultural.
Em alguns casos, não se tem quase nenhuma audiência,
mas entende-se que se não fosse a radiodifusão
pública, determinados assuntos nunca seriam discutidos
ou divulgados.
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