|
Em busca de um rádio inventivo!
por Adriana Ribeiro
De 14 a 19 de setembro cocorreu em Londrina
o Rádio Fórum "Escuta!". Antes de
comentar o evento, porém, é necessário
apresentar a responsável por sua realização:
Janete El Haouli. Seu currículo oficial lista as seguintes
credenciais: formou-se em Música (piano), fez mestrado
em Ciências da Comunicação (1993) e doutorado
em Artes/Rádio (2000), ambos pela ECA - Escola de Comunicação
e Artes da USP - Universidade de São Paulo. É
professora-adjunta do Departamento de Artes dos cursos de
Música e Artes Cênicas da UEL - Universidade
Federal de Londrina desde 1981. É diretora da rádio
Universitária de Londrina (PR).
Mas muito mais do que isso, Janete é daquelas pessoas
que não só se dedica com paixão ao que
faz, como acaba contagiando os que estão a seu lado.
Não foi por outro motivo que ela conseguiu realizar
esse Fórum. O projeto original, aprovado pela Lei de
Incentivo Federal, previa que o evento ocorresse em quatro
cidades. Sem condições de captar o montante
necessário para este ano, mas com o incentivo de diversos
profissionais, Janete conseguiu, com recursos mínimos,
promover o encontro em Londrina.
Com o apoio do Radioatelier, da Finlândia, ela pôde
contar com a presença do produtor Harri Huhtamäki,
e o Instituto Goethe contribuiu para a vinda do compositor
Chico Mello. Os demais convidados para os debates e oficinas
compartilhavam deste perfil: ou eram pesquisadores/produtores
de rádio, ou compositores. O que poderia parecer à
primeira vista um agrupamento de profissionais com assuntos
díspares, resultou, na verdade, em felizes interseções
de interesses e belas constatações, como esta,
comentário de Janete ao final de uma das mesas: "rádio
é composição". Quem pôde assistir
ao Fórum teve os ouvidos agraciados não só
com as idéias apresentadas, mas, principalmente, com
as peças e programas que os participantes mostraram.
A expectativa da organização é que em
2009 o projeto original seja realizado, e uma das cidades
que irão receber o fórum será o Rio de
Janeiro. Aos interessados um conselho: abram os ouvidos para
o "Escuta!".
Antecedentes
A primeira inspiração para a
realização do "Escuta!" partiu de
um evento também intitulado Rádio Fórum
promovido pela produtora da MEC FM Lilian Zaremba. Em 1997
Lilian trouxe para o Rio profissionais brasileiros e estrangeiros
como Regina Porto e Helmut Kopetzky para debater questões
ligadas à tecnologia e à produção
de programas mais elaborados, como radiodramaturgia e documentários.
Janete El Haouli foi uma das convidadas desse Fórum
e falou sobre a escuta radiofônica.
Depois deste Fórum , Janete participou de outros eventos
que também se dedicavam a pensar o rádio, especialmente
um rádio mais artístico, como a Bienal de Rádio
do México, promovida pela estação Radio
Educación.
Como nos velhos/bons tempos
A platéia do evento era composta em sua
maioria por jovens universitários de, pelo menos três
áreas de conhecimento: música, teatro e comunicação.
Junção essa muito comum nos primeiros anos do
rádio brasileiro. Quem também fez esta observação
foi Júlio de Paula, produtor da Cultura FM que foi
ao Fórum para falar de seus programas e para dar uma
oficina de produção (uma das mais concorridas).
Os inscritos em sua oficina também tinham essa diversidade
de perfis profissionais, o que ele considerou muito bom. Júlio
produz dois programas para a Rádio Cultura; o belo
"Veredas", onde a música e os sotaques populares
do Brasil podem ser ouvidos; e o instigante "Supertônica",
programa capitaneado pelo músico Arrigo Barnabé.
O fato do "Supertônica" ser veiculado na Rádio
na Universidade de Londrina certamente contribuiu para o número
de inscrições de sua oficina.
Outra oficina também bastante concorrida foi a de Harri
Huhtamäki. O muitas vezes premiado produtor trouxe na
bagagem quilos de scripts e muitas horas de programas por
ele produzidos.
Próximos capítulos
Além da promessa de uma edição
ampliada do Fórum para 2009, uma feliz idéia
de composição de uma rede de produtores começou
a ser ali forjada. A internet foi apontada como lugar ideal
para a realização dessa rede, que não
dependeria das amarras das instituições ou das
grades de programação das emissoras.
|