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RÁDIO MEC
Sediada no centro da cidade do Rio
de Janeiro, na Praça da República, 141-A, a Rádio
MEC, opera, hoje, dois canais de AM (RJ e Brasilia) e um de FM (RJ).
Seus três canais de ondas curtas, acompanhando tendência
mundial, foram desativados.
Situado entre dois monumentos arquitetônicos
(o antigo Senado e a antiga Casa da Moeda), o prédio da rádio
não se distingue pela arquitetura, mas abriga o maior estúdio
ativo da cidade e do país o belíssimo Estúdio
Sinfônico e guarda, em seu acervo, um tesouro sonoro
inestimável, com centenas de programas educativos/culturais
e gravações musicais exclusivas, muitas ainda inéditas
em disco.
Além dos estúdios de
transmissão e montagem, situados no último andar foto,
a RADIO MEC dispõe de mais dois estúdios no quarto
andar: o A ( antigo estúdio de radioteatro),
com 24 metros quadrados; e o Estúdio B que tem
12 metros quadrados. Ambos possuem pianos de calda.
No andar térreo, está
o auditório-estúdio, que na verdade, é a antiga
sala de projeção herdada da Embrafilme, que funcionou
nos andares inferiores do prédio. A cabine de projeção
foi transformada em estúdio, e a sala, sonorizada. A reforma
daquele espaço, que inclui tratamento acústico e ampliação
do número de cadeiras, é um dos ítens da pauta
de realizações da SOARMEC, que encomendou e possui
um estudo preliminar elaborado pelo arquiteto Alfredo Brito.
HISTÓRIA
A Rádio MEC pode ser considerada
a mais antiga emissora do país, pois descende da pioneira
Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, fundada em 1923, por Roquette-Pinto,
Henrique Morize e outros membros da Academia Brasileira de Ciências
e da sociedade da época. Como, naquela época, o modelo
de programação mais próximo do que pretendiam
botar no ar era a programação das agremiações
lítero-musicais, movidas a palestras e recitais, a Rádio
Sociedade do Rio de Janeiro constitui-se como uma agremiação
desse tipo com o diferencial de que podia irradiar os seus
saraus.
Durante seus 13 anos de existência,
a emissora manteve uma programação eminentemente cultural,
e, demonstrando que cultura também educa, ensinou
poesia, literatura e ciência, educou ouvidos para
a música de concerto e deu as primeiras aulas
de pronúncia padrão brasileira da língua portuguêsa.
Ninguém tem dúvida de que o rádio brasileiro
foi um dos principais responsáveis pela unificação
linguística do país, mas nem todos sabem que a coisa
começou com a Rádio Sociedade, Assim, apesar de transmitir
uma programação cultural, a Rádio Sociedade
também foi o berço da idéia do rádio
educativo uma idéia que amadureceu enquanto Roquette-Pinto
era seu diretor, e que estava pronta, quando ele doou a estação
ao governo.
A DOACÃO
Em 1936, a nova lei de comunicações
exigiu que todas as estações aumentassem a potência
de seus transmissores e, Roquette-Pinto, que dirigia a descapitalizada
Rádio Sociedade, descartando a possibilidade de ibuscar capital
na praça e tornar-se um empresário do ramo das comunicações,
preferiu doar a emissora ao, então, Ministério da
Educação e Saúde. Mas impôs as condições
de que a rádio transmitisse apenas programação
educativa/cultural e não fizesse proselitismo de qualquer
espécie comercial, político ou religioso. Tal
compromisso, assumido através de ato jurídico perfeito,
foi mantido até 1995, quando, logo no início de seu
governo, Fernando Henrique Cardoso desvinculou a Rádio daquele
ministério e colocou-a, junto com a TVE, sob a tutela da
Secretaria de Comunicação da Presidência da
República.
UMA RÁDIO EDUCATIVA E CULTURAL
A Rádio Ministério da
Educação e Saúde, depois Rádio Ministério
da Educação e Cultura e hoje Rádio MEC, é
uma rádio de resistência cultural, e tem prestado um
inestimável serviço. Uma legião de ilustres
colaboradores produziu, ao longo de 7 décadas, uma programação
única. Produtores, músicos, escritores, radioatores,
poetas e jornalistas como Cecília Meireles, Carlos Drummond
e Manoel Bandeira, Geny Marcondes, Fernanda Montenegro e Fernando
Torres, Sergio Viotti, Otto Maria Carpeaux, René Cavé,
Fernando Tude de Souza, Magalhães Graça, Edna Savaget,
Francisco Mignone, Alceo Bocchino, Edino Krieger, Marlos Nobre,
Paulo Santos, Nelson Tolipan...
O ACERVO PRECIOSO
Os mais antigos programas conservados
pelo Acervo da Rádio MEC, um dos mais importantes do país,
remonta à década de 1960. Da programação
e do cast de rádioteatro que a rádio manteve até
final dos anos 1980, restam poucos exemplares, sendo o mais importante
o Teatro Sérgio Viotti, com 60 programas em bom estado. A
vôo de pássaro, pode-se dizer que os 3000 programas
acervados são um espelho das três grandes realizações
da emissora: o rádio educativo e o rádio cultural
(cujo capítulo principal foi escrito em parceria com a Orquestra
Sinfônica Nacional).
Rádio MEC uma programação
musical única
Nenhuma rádio brasileira divulgou
tanto e por tanto tempo a música de concerto. A importância
que ela teve para a nossa música erudita equivale à
importância que a Rádio Nacional teve para a nossa
música popular. No que diz respeito à produção
da musica de concertobrasileira, propriamente dita, a Rádio
MEC prestou um serviço incomparável, porque, além
de transmitir e divulgar, produziu centenas de gravações
exclusivas da Orquestra Sinfônica Nacional, da orquestra de
câmera, e também de duos, trio , quarteto e quinteto
instrumentais. Várias dessas gravações
realizadas no Estúdio Sinfônico pelo lendário
técnico Manoel Cardoso.
A propósito da OSN, a única
orquestra radiosinfônica que o país teve, deixou de
pertencer à Rádio, em 1981, está hoje, desfalcada,
na UFF, em Niterói. A disposição dos Amigos
Ouvintes é a de negociar o retorno da OSN à sua origem,
fazendo com que a Rádio volte a possuir uma orquestra
como acontece com a RTF, com a Rádio da Baviera, e tantas
outras emissoras européias e dos USA , e retomar seu
programa de ensaios e gravações de nossa música
de concerto, é uma necessidade cultural que precisa ser satisfeita.
Radio MEC a maior experiência
brasileira de educação a distância
A emissora protagonizou os mais importantes
capítulos da história do rádio educativo brasileiro.
Abrigada no Ministério da Educação, e pondo
em prática o modelo sonhado por Roquette-Pinto, a rádio
provocou a criação do SREServiço de Radiodifusão
Educativa, e passou a transmitir uma programação única,
que, na década de 40, já estava coim bastante qualidade
de broadcasting e incluía divulgação cientîfica,
literatura, aulas de ginástica, cursos de Alemão,
Francês, Inglês e Língua Portuguesa. De lá
pra cá, passando pelos programas do Colégio do ar
foto nos anos 1950; e pelos do Projeto Minervafoto nos anos 70;
até 1998, quando foi retirada do Ministério da Educação,
são quase cinquenta anos de produção ininterrupta,
transmitindo milhares de programas e centenas de séries educativas.
Com o Serviço de Radiodifusão Educativa ainda ativo,
e a famosa portaria 568 que tornava obrigatória a
transmissão de programas educacionais em todas as rádios
, as séries e campanhas produzidas ali, no centro do
Rio de Janeiro, alcançavam quase todo o país.
Após o Minerva, e até
mesmo após a extinção do SRE, a Rádio
continuou produzindo, em menor escala, séries de educação
para o trânsito, higiene, programas de Ciência, História
e Língua Portuguêsa. Hoje, apesar de praticamente não
transmitir programação educativa, a emissora continua
a educar, pois continua a ser uma rádio cultural.
Os Amigos Ouvintes defendem a volta
da emissora ao Ministério da Educação, a quem
ela pertence de direito, e consideram que só assim ela poderá
retomar sua função educativa e voltar a a fazer, efetivamente,
parte da expressão cultural da cidade e do país.
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