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Antropólogo e professor emérito da UFRJ, o nosso
entrevistado revela um lado pouco conhecido de Roquette-Pinto
a quem substituiu no Museu Nacional.
oQuando o senhor pensa em Roquette-Pinto, qual a primeira
coisa que lhe vem à cabeça?
LCF - É o fato de que fui examinado por ele num concurso
para um lugar no Museu Nacional, que foi ocupado durante
anos por ele, e, na defesa de tese, ele tentou que eu declarasse
uma coisa que eu não queria declarar, porque ele
insistia que na minha tese eu tinha deixado de fazer alguma
coisa que ele achava importante, e, num certo momento, eu
dei um soco na mesa. Ele perguntou se eu ia confessar, e
eu disse: "Não confesso. O que está em
julgamento é o que está na mesa, diante dos
seus olhos: eu não fiz o que o Senhor queria que
eu fizesse". Eu pensei: acabei a carreira, e fui
saindo cabisbaixo. De repente, uma mão bateu na minhas
costas: "Eu tinha te dado 8, agora eu te dei 10".
o Você já conhecia o Roquette-Pinto?
LCF - Conhecia de contatos rápidos, porque, quando
comecei minha carreira no Museu Nacional, estive aqui alguns
anos antes e tive vários encontros com Roquette-Pinto,
inclusive no Cinema Educativo. Mas quando eu comecei a trabalhar
aqui, Roquette já não freqüentava o Museu.
Ele dizia ostensivamente que não voltaria a por os
pés no Museu - depois de ter sido durante anos professor
e chefe de departamento de Antropologia e diretor do Museu.
Inclusive, na ocasião do concurso, ele veio, porque
uma das provas, a prova prática que eu deveria prestar,
era no Museu Nacional, e ele lembrou que estava pisando
de novo no Museu somente devido ao fato de estar examinando
um concurso.
oPor que, houve algum ressentimento?
LCF - Não sei se houve propriamente um ressentimento,
mas o Roquette era homem de começar muitas coisas,
realizá-las muito bem, mas cansar-se em pouco tempo
com elas, e começar outra. Quando dizem que ele foi
pioneiro é porque realmente ele tinha todo o caráter
do pioneiro, porque é um homem que precisa sempre
encontrar coisas para desbravar. Uma vez desbravada, ele
ia adiante. Ele criou, aqui, a seção de Assistência
do Ensino, e ajudou imensamente o ensino de nível
médio através de toda essa ação,
inclusive instituindo um prêmio e criando coisas.
Antes do projetor, ele criou uma máquina que fazia
projeções, que qualquer aluno podia usar -
era um inovador. Depois, partiu para o rádio; depois,
para o cinema - ele estava sempre inovando. Provavelmente
cansou-se de ficar aqui, criando coisas..
o O Roquette-Pinto, como é que ele era?
LCF - Era uma figura excepcional, sobre todos os aspectos.
Sabia conversar como poucos, era um conferencista absolutamente
excepcional - ele me deu uma lição que eu
guardo até hoje. Eu estava começando a minha
carreira e ia fazer uma conferência, e ele : "Castro
Faria, toda a minha vida eu segui um princípio: escolho
três idéias centrais sobre as quais vou discorrer
e nunca vou
além dos cinqüenta minutos. Faça isso
e você terá sempre sucesso". Ele tinha
horror a cansar o público, usar uma linguagem pretensiosa
ou se dispersar, então, ele tinha muito cuidado em
fazer um roteiro bastante nítido.
o Qual a contribuição dele como antropólogo?
LCF - Você veja bem. Há duas antropologias:
uma que é puramente biológica e que exige
portanto formação em biologia, anatomia, morfologia
humana, estudos de biologia, de evolução,
de genética; e a outra antropologia, que é
a cultural ou social. Elas têm uma importância
muito grande. Nós tivemos, durante muitos anos, antropólogos
nas duas especializações, interessados sobretudo
em indígenas, sociedades tribais e negros, e muito
pouco pela população brasileira. Ele inovou
completamente, porque o interesse sempre era por índio,
ou era por negro, e o branco sempre ficou
como coisa sobre a qual nós não tínhamos
interesses, porque o pesquisador era branco, era o grupo
dele, etc. A grande contribuição dele vem
a ser a de estudar, com as técnicas mais modernas
da época - que são praticamente as de hoje
-, as populações brasileiras. Veja que Roquette-Pinto
era formado em medicina - a formação dele
era a biologia - , por isso ele podia trabalhar, com grande
desembaraço, com os problemas de variação
morfológica humana. A contribuição
dele foi muito importante para a época, e muito variada.
Ele viveu numa época em que ainda existiam os chamados
expoentes, aqueles nomes respeitados pela atividade intelectual,
em vários domínios. E o Roquette foi um expoente.
o Ele foi mesmo o 1º a dissecar um índio?
LCF - Ele fez uma dissecção com um outro professor
de anatomia. A primeira.
oA que conclusões importantes ele chegou dentro
desse enfoque ?
LCF - As conclusões, na realidade, consagraram uma
divisão que todos reconheciam na
população brasileira. Mas isso mediante o
estabelecimento de tipos que só se obtêm com
o
uso de técnicas estatísticas, matemáticas,
pra determinar freqüência, valor modal, etc.
oEntão Roquette-Pinto fundamentou cientificamente
o que já era do conhecimento geral?
LCF - Sim, mas ele demonstrou isso, o que é diferente.
Dizer é uma coisa e demonstrar é outra. Não
só demonstrou: ele deu indicações que
essas quatro formas variavam dentro de determinados padrões.
Caboclos, que a gente diz que descendem de índios;
pretos, que descendem de africanos; brancos, que descendem
de europeus; mulatos, que descendem de cruzamento
de branco com negro - é óbvio, mas ninguém
tinha as medidas que revelassem morfologicamente como esses
grupos se apresentavam. Então, ele estabeleceu a
morfologia de cada um desses grupos.
oEssas sementes que ele lançou foram aproveitadas
por outros?
LCF - Eu acho que, inevitavelmente, isso terá acontecido.
O cinema educativo, a TV e o rádio estão vivendo
do que ele fez. Então, realmente, eu creio que o
que ele sempre desejou, que foi inovar, abrir caminhos pros
outros, ele conseguiu; e deixou vários caminhos abertos.
Mas o grande trabalho dele, que lhe deu renome internacional,
foi Rondônia.
oPor que Rondônia é importante?
LCF - A importância é extraordinária,
para a época. Mas, hoje, é apenas um clássico.
Nós nos referimos muitas vezes ao "clássico"
como aquele autor que é reconhecido, mas não
é conhecido. Mas, sempre que alguém precisa
percorrer de novo os caminhos da Etnologia Brasileira, vai
encontrar Rondônia.
o Por que?
LCF - Porque ali se insere todo um projeto de descoberta
do interior do Brasil. Roquette escreve Rondônia por
que? Porque é convidado pelo Marechal Rondon para
fazer parte da Missão Rondon. Não só
o Roquette: vários especialistas do Museu Nacional
participam. Rondon realiza aquela
Ciência no Brasil. Esses trabalhos, ainda hoje, têm
uma grande importância, porque, para ampliar essa
história é preciso retomar o que já
foi escrito. A História da Ciência não
é mais elaborada como no tempo do Roquette, que era,
sobretudo, uma história de grandes figuras criadoras.
Hoje, ela exige muito mais do que isso: é um trabalho
em que a posição do cientista ou de qualquer
autor é vista dentro do sistema de relações
desse campo intelectual - há uma série de
problemas novos colocados. Roquette deixou uma contribuição
importante, com todos esses estudos
sobre diretores antigos do Museu Nacional e sobre figuras
excepcionais, como Fritz Müller. Os trabalhos escritos
são variados: muitos têm um caráter
realmente pioneiro de percepção que ele tinha
da relevância daquele tema e que ele transformava
em uma conferência, ou em um ensaio. Mas não
prosseguia, porque, na época, o escritor e o cientista
não tinham preocupação com a questão
de competição, de aprofundar-se num tema que
ele circunscreve de uma maneira muito bem elaborada. Na
época, ele era um grande intelectual, com formação
científica.
o Quais os frutos do trabalho dele nesta área?
LCF - Eles têm que ser avaliados em termos do que
nós hoje chamamos de campo intelectual - que hoje
não possui expoentes com a mesma significação.
Roquette-Pinto, vamos lembrar isso,
era membro da Academia Brasileira de Ciências, da
Academia Brasileira de Letras, era Professor do Museu Nacional,
foi Diretor do Museu Nacional, era jornalista e poeta, e
tinha vários livros de conferências publicados
- insisto que o Roquette era um conferencista fora do comum.
A palavra exata, a proporção muito bem estabelecida,
um estilo muito espontâneo e muito correto, ao mesmo
tempo. Então, ele era um expoente. O fato desse expoente
ser também antropólogo resultava num prestigio
enorme para a Antropologia. O nome de Roquette-Pinto é
um nome sonoro,
todo mundo reconhecia. Então, ele prestou não
só uma grande contribuição à
Antropologia, pelo que produziu, mas pela posição
que ocupava dentro desse campo intelectual.
o Ele era etnólogo, também?
LCF - Não. Ele realizou uma obra etnológica
importante que veio a ser Rondônia, mas ele não
era etnólogo. Ele fez um pouco de Arqueologia, também
- foi ao Rio Grande do Sul, trouxe material. Mas a preparação,
a formação dele, levava a trabalhar com muito
mais desembaraço os problemas
de variação humana.
o O que se escreveu depois, em função
do que ele deixou escrito?
LCF - Olha, o que ele deixou escrito está muito marcado
pelo tempo. Muitos trabalhos dele foram pioneiros, porque
ele foi pioneiro ao escrever muito dos seus ensaios: indicava
pistas e deixava que outros viessem a fazer, porque, como
eu já disse, ele se cansava muito rapidamente das
coisas. Ele deixou uma série de conferências.
Escreveu sobre Euclides da Cunha. Ele fazia um pouco, e
muito bem, Historia da penetração da Serra
do Norte, com uma expedição constituída
não só de militares, mas também de
cientistas,
zoólogos, botânicos, geólogos, etnólogos
e um antropólogo - e esse antropólogo é
o Roquette-Pinto. Rondon começa em 1907 essas expedições
e, em 1912, o Roquette faz a viagem. É preciso lembrar
que as grandes expedições no interior do Brasil
- que acabavam por descrever tribos e paisagens, e fazer
levantamentos geográficos, traçar mapas do
interior -
eram feitas por estrangeiros. O Roquette-Pinto, então,
participa, e escreve Rondônia - que surge numa edição
feita como volume dos arquivos do Museu Nacional, que foi
cuidada pelo próprio Roquette. Ele era um homem que
conhecia tudo: fotografia, litografia, e ele acompanhou
todo o trabalho de impressão. É uma beleza,
como arte gráfica, e ele trouxe de Rondônia
uma grande coleção de chapas que ele mesmo
fez. E ele foi o primeiro a levar um gravador Edson - um
pequeno gravador de mola, com cilindro de cera, e o
primeiro a gravar músicas indígenas.
o Fale desse equipamento.
LFC - A expedição de Roquette-Pinto como participante
da Missão Rondon tem realmente uma marca muito forte,
que é a da utilização de um equipamento
moderno, para a época. Em termos de fotografia, ele
usou uma máquina que proporcionou excelentes fotos.
E levou um gravador que permitiu que ele trouxesse gravações
dos cânticos e não um simples registro. Aqueles
rolinhos, tão precários que, hoje, um especialista
em som deve achar brincadeira de criança, na época,
representavam um avanço extraordinário. Então,
além do significado do trabalho que ele realizou,
em termos de uma etnografia Nhambiquara, de uma indicação
das variações lingüísticas, a
identificação de diferentes grupos, a descrição
do cotidiano desses grupos, a descrição, inclusive
- como ele era médico - de certos problemas de natureza
médica, quer dizer, ele foi um observador excepcionalmente
bem dotado e com a vantagem de ser um pesquisador que pertencia
a uma casa de pesquisa onde encontrava o apoio dos colegas
pra resolver problemas de botânica, de
zoologia e de geologia. Então, Rondônia é
um livro rico de informações porque o botânico
do Museu ajudou a identificar as espécies que interessavam
ao trabalho dele sobre os índios, porque eram plantas
que os índios utilizavam. Ele descreveu , por exemplo,
o hidromel, a bebida dos índios, que é uma
delícia : o mel de abelha silvestre dissolvido na
água. Enfim, o Roquette alinhava, nesse livro, a
finura do intelectual que sabia observar e descrever com
elegância. Então, é um livro bonito,
ainda hoje, mas não tem mais a significação
que teve, porque vários estudos sobre os
nhambiquaras levaram muito adiante o conhecimento sobre
esse grupo.Mas Roquette continua a ser citado. E ele enriqueceu
muito as coleções do Museu Nacional. Nós
temos dezenas de machados de pedra encabados (foto), o que
é uma raridade.
oEncabados. ou seja, com cabos?
LCF - Sim! Porque os machados de pedra aparecem em geral
em jazidas arqueológicas - ninguém sabe como
foi o cabo. Então, ele trouxe uma belíssima
coleção, e trouxe ainda um tronco de arvore
que foi cortado com um machado de pedra - o que foi considerado
na Europa um documento
excepcional - porque a Europa não tem mais populações
pré-históricas que pudessem fornecer isso.
Então, Rondônia é um livro clássico.
Quando se pensa em Euclides, pensa-se em Os Sertões;
quando se pensa em Roquette-Pinto, pensa-se em Rondônia.
o A palavra"brasiliano" foi cunhada por Roquette-Pinto?
LCF - A minha impressão é que essa expressão
já está presente em algum cronista ou historiador.
Mas foi ele quem deu sentido a esse termo.
o E o que significa "brasiliano"?
LCF - O 'brasiliano' de Roquette-Pinto é o produto
dessa miscigenação que tem pra ele um caráter
novo: não só um problema de morfologia, mas
um problema de um todo, de um tipo fisico, mas ao mesmo
tempo de um cidadão. O cidadão do Brasil seria
um brasiliano. Porque Roquette era antiracista, evidentemente,
e também um democrata convicto.
o O Drummond, numa crônica, diz que Roquette era
um "combatente do racismo, num momento em que certos
grupos tentavam colocar uma cláusula racista na Constituição."
Que Constituição era?
LCF - Não sei, especificamente.Mas, com relação
a racismo, durante o Estado Novo, surgiu um grande movimento
eugenista. Houve, inclusive, um Congresso Brasileiro de
Eugenia, e, aí, surgem várias teses racistas.
É preciso lembrar que, na Alemanha, estava em processo
toda uma política. Não era uma teoria, era
uma política racista do Hitler.
o O que é Eugenia?
LCF - A Eugenia é uma ideologia que tem como suporte
político essa idéia de que você pode
melhorar uma raça eliminando todos os portadores
de qualquer tipo de deficiência geneticamente transmissível.
Todo mundo sabe que Hitler adotou práticas eugênicas,
como esterilização de deficientes, e procurou
selecionar reprodutores e matrizes pra obter tipos cada
vez mais
puros - isso se faz com Zootecnia. O Roquette era contra
isso, bsolutamente. O que ele queria era promover o aperfeiçoamento
através da educação - e é surpreendente
que esse aspecto não seja retomado, pois é
um dos mais importantes da sua atividade. Porque Roquette
não pode ser avaliado só em termos do que
escreveu. Suponho que ele escreveu pouco sobre rádio
e cinema, mas o que ele fez pelo rádio e pelo cinema
é muito mais do que muitos autores. Roquette-Pinto
criou a Revista Nacional de Educação. São
22 números, apenas, mas uma revista belíssima,
embora em papel de qualidade inferior. É uma revista
nacionalista, porque Roquette queria recuperar o Brasil
inteiro com a educação. Queria ensinar ciências
aos jovens. Ele queria promover uma verdadeira revolução
no ensino, porque as crianças brasileiras, em geral,
são educadas com temor de bichos e plantas, e ele
queria mudar isso. Queria que cada escola construísse
os seus museus. Ele não dava museu de presente, mas
os alunos deviam colecionar plantas e pequenos animais,
e aprendiam a preparar e a conservá-los. Enfim: ele
foi profundamente dedicado ao problema da educação
- e a motivação
era nacionalista.
oFale da mestiçagem, que, com Roquette, passou
a ser bem vinda.
LCF - O debate a favor e contra a mestiçagem vinha
do século XIX. Uns viam no Brasil um país
ideal, que permitia a mestiçagem, e outros diziam
que o Brasil era inviável, que ia desaparecer como
país, por causa dela. Quando o Roquette começou
a trabalhar no Museu, já encontrou aqui o João
Batista de Lacerda, que, em 1911, tinha ido a Londres participar
do Congresso Universal das Raças, e levou um trabalho
mostrando que a mestiçagem no Brasil não tinha
nada de desvantajosa, embora ele adotasse uma ideologia
- que é velha no Brasil, mas ainda presente - de
que nossa democracia racial estava aos poucos assimilando
os pretos e os índios. Mas o Batista de Lacerda levou
a Londres, como prova de que a mestiçagem no Brasil
não era problema, um diagrama feito pelo Roquette-Pinto.
o E as posições do Roquette-Pinto a respeito
do pan-americanismo?
LCF - Os sonhos dele, em relação ao pan-americanismo,
não sei se tiveram importância muito grande.
O fato é que ele participava: deu cursos no Paraguai,
no Uruguai, na Argentina, fêz conferências,
mas isso era uma coisa comum, na época.
o E o Roquette-Pinto Como diretor do Museu Nacional,
como foi?
LCF - A sua administração traz a mesma marca
que ele deixou gravada em todos os lugares por onde passou:
inovar, criar. Roquette-Pinto criou o Setor de Exposição
de Etnografia Sertaneja - ele foi o primeiro a colecionar,
reunir e expor, não mais, simplesmente, coisas de
índio e coisas de
negro, mas coisas de brasileiros. Então, aí,
foi pioneiro mais uma vez. Essa 'etnografia sertaneja' seria
a etnografia do povo brasileiro - isso que chamam hoje de
folclore -, depois surgiram todas as comissões e
conselhos, etc. A todo esse colecionamento de produtos artesanais,
ele chamou, na época, de etnografia sertaneja, e
criou uma sala, que chamava-se Euclides da Cunha Etnografia
Sertaneja. Então, como diretor do Museu Nacional,
ele foi também pioneiro. Roquette não passou
por lugar nenhum que não tivesse criado alguma coisa
de novo, embora, justamente porque queria criar sempre,
algumas não tiveram continuidade.
o Quando descrevemos uma pessoa, estamos, em termos
científicos, fazendo o quê?
LCF - Uma somatoscopia.
o Qual seria a somatoscopia do Roquette-Pinto?
LCF - Eu já o conheci doente. Ele tinha um problema
sério de coluna: o pescoço estava cada vez
mais curvado - ele praticamente olhava para baixo, e isso
foi se agravando. Mas, apesar dessa situação,
era um homem notável pela presença intelectual,
pela vivacidade do olhar, pela maneira
como conversava - ele sabia conversar como poucos. Então,
era uma figura extremamente agradável. Era um intelectual
e uma figura bonita - o retrato dele, lá com os nhambiquara,
é
de um rapaz excepcionalmente bem dotado,fisicamente. Sabia
francês, inglês, alemão; conhecia literatura
de todos esses países. Foi um homem que teve uma
educação primorosa.
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